SWA - Safe Way for Autistic - Caminho Seguro para Autistas
..Musicoterapia e seus efeitos em pessoas portadoras do TID - Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, onde se inserem os autistas... Este espaço será como um portal para o conhecimento, divulgação e o compartilhar de um processo terapêutico. Ouso-me aqui falar de uma maneira vivencial como uma profissional em Musicoterapia que se encantou com o enigmático universo dos portadores do Autismo Infantil. Antes porém deste mergulho, quero falar a respeito do título deste blog... um outro mergulho ... no tempo!!!
Ano 2001: Realização de um antigo sonho. Comecei a cantar Mantras em sânscrito (man= mente + tra= libertação) isto é um fato marcante em minha vida. Essa experiência me permitiu uma total compreensão do efeito do sons na vida de todo ser humano, o que veio reforçar mais ainda o gosto pela minha profissão.
Cantar mantras nos leva à uma total conexão com nosso Eu Interior = SWA (Eu Interior em Sânscrito). Sabendo na prática, que a Musicoterapia é uma das terapias que mais se adeqüa aos portadores do Autismo Infantil, é que estou aqui agora partilhando com todos vocês, este bolg que se torna um Caminho Seguro para os Autistas: SWA - Safe Way for Autistic.
Então com estes conceitos preliminares ... E o esclarecer sobre, tornará o início desta viajem, algo possível... Apreciem.
Ao ler livros, relatos etc, dos próprios portadores da Síndrome de Asperger (síndrome que pertence ao espectro autístico) me convenço do quanto podemos aprender com eles. A vida é um lindo mistério a ser desvendado e estes enigmáticos representantes, são um belo desafio.
Eis um trecho do livro: Olhe nos Meus Olhos - Minha vida com a Síndrome de Asperger.
"Quando eu era criança, os psiquiatras diagnosticavam os portadores de Asperger como depressivos, esquizofrênicos ou sofrendo de muitas outras doenças mentais. A Síndrome de Asperger não é tão prejudicial assim. Pode até conceder alguns dons raros. Alguns Aspergers têm extraordinária aptidão para compreender problemas complexos e podem tornar-se brilhantes engenheiros ou cientistas. Outros parecem possuir dons musicais sobrenaturais. Mas não se deixe enganar - muitas crianças com Asperger não se tornam grandes professores ou cientistas excepcionais. Crescer é muito difícil."
John Elder Robison
Aproveitando... deixo aqui um trecho da letra de uma música para reflexão
CRESCER - Chiquititas
(...)
Crescer não é ser mais alto
Crescer não é ser mais forte
Crescer não é ser maior
É muito mais que isso
É poder ir mais longe
Com nosso coração
Saber olhar para dentro
Ser cada vez melhor. 2x
Que dificil entender
Que tudo vai mudar
Que a vida vai me fazer crescer
E a olhar pra trás
a menina que mudou
E a mulher que espero
para caminharem juntas
Um caminho sem medo.
Crescer pra ser mais livre
Crescer é ver além
Crescer é ser os donos
De nossos próprios sonhos
É correr os ricos,
de tocar o fundo
De ser mais parecidos
do que na verdade somos. 2x
Música preferida por Joabes, uma criança de 10 anos portador de Autismo Infantil, ex-aluno da Clínica/Escola: EVOLUÇÃO em Salvador-BA. Esse episódio ocorrido durante meu primeiro ano como Musicoterapeuta em 1997 ficou marcado em mim até os dias de hoje.
Na primeira década do século XXI, a ciência com todo aparato moderno ainda não detectou a causa da síndrome do Autismo Infantil e a Síndrome de Asperger. O que dificulta o tratamento e a compreensão.
Tenho buscado incessantemente notícias novas que possam trazer esperança aos familiares, e aos profissionais envolvidos. Porém nada a acrescentar.
Acredito que neste longo caminhar, muitas crianças se perderam no caminho. Na espera da cura, o olhar foi desviado da criança.
O Professor Christopher Gillberg é médico, PhD, Professor de Psiquiatria Infantil e do Adolescente nas Universidades de Gotemburgo (Suécia – Hospital Rainha Sílvia), de Strathclyde (Inglaterra – Hospital Yorkhill), de Londres e de Bergen.
Dr. Gillberg, é considerado autoridade no assunto: TID(Transtornos Invasivos do Desenvolvimento. Em sua palestra ministrada aqui no Brasil em 2005, descreve pormenores sobre o Autismo Infantil e Síndrome de Asperger. E eu dei destaque nesta fala do Dr. Gillberg:
Implicações para o tratamento • Exercício físico. • “Dieta sensorial”, ambiente favorável à pessoa com autismo (reduzir barulho, certos sons, cheiro, conhecimento da equipe sobre o autismo) • Educação com métodos concretos, visuais (nem sempre) diretos - TEACCH • ABA - Análise do Comportamento Aplicada • PECS – Sistema de Comunicação por Troca de Figuras • Minimizar ambigüidades e interpretações simbólicas
"Quais são as implicações para tratamento afinal? Bem, pessoas com autismo são diferentes umas das outras. Não são todas iguais. Esta é uma das grandes descobertas, porque as pessoas costumavam pensar que o autismo seria um tipo homogêneo de problema, mas não é. É causado por diferentes coisas e as pessoas são diferentes dentro do espectro. O trabalho precisa ser individualizado. Se há um transtorno subjacente, deve ser tratado. E o médico deve saber de coisas tais como: há síndromes no autismo que estão associadas com uma esquiva ao contato ocular muito grave."
Este novo livro sobre Autismo Infantil lançado nos EUA por Natalio Fejerman: Autismo Infantil e outros Tanstornos do Desenvolvimento, além de comentar os famosos casos de psicoses, os quais deram origem a importantes inovações teóricas na psicanálise, Natalio Fejerman retoma um tema que, na década de 70 causou muito transtorno aos pais de crianças autistas. Em 1972 Francis Tustin publicou um livro, Autismo e Psicose Infantil no qual tratava o autismo como uma psicose infantil causada por problemas afetivos intra-uterinos. Felizmente esta confusão foi desfeita e, alguns anos depois, a própria Francis Tustin se retrata perante às mães das crianças autistas.
Fejerman neste livro, afirmaque os Trantornos Invasivos do Desenvolvimento e especialmente o Autismo Infantil não são determinadospelas distorções da conduta dos pais, e sim por disfunções originadas do sistema nervoso central da criança. Isto não implica desconhecer a participação das vertentes psicológicas, psicopedagógicas, lingüística, comunicação e a psicomotricidade, e a equipe que trabalhe junto aos pais para melhorar a adaptação das crianças autistas. Este trabalho interdisciplinar deve iniciar-se o mais cedo possível,desde os primeiros anosde vida.
A palavra autismo vem do grego “autos” que significa - “si mesmo”- alguém que se encontra abstraido em si próprio. Desinteressada do que acontece ao seu redor, a criança autista se apresenta distante e esquecida do ambiente e só transitoriamente percebe a separação do seu corpo dos objetos externos. Aparentemente reflete um sentimento de satisfação demonstrando um quase permanente bem-estar consigo própria. Esta falsa auto-suficiência a impede de um relacionamento adequado às diversas situações do cotidiano. Como se estivesse numa redoma, o autista evita sempre que alguém penetre no seu mundo.
O autismo manifesta-se de diversas maneiras. Cada criança apresenta características peculiares. Algumas ao nascer sentem dificuldade em aninhar-se no colo da mãe e até em mamar. Outras têm um desenvolvimento “normal” até aproximadamente três anos, chegam a falar, perdendo posteriormente a capacidade de expressar-se oralmente e algumas conseguem pronunciar as palavras ou frases, ecolalicamente. Poderão manifestar-se alguns ou todos os sintomas. Por ser raramente capaz de reagir aos estímulos do mundo exterior, o autista apresenta sérios problemas na comunicação.
HISTÓRICO
Em 1911, o médico E.Bleuler, usou o termo autismo pela primeira vez para distinguir a perda de contato com a realidade, o que ocasionaria uma grande dificuldade de comunicação e relacionamento com as pessoas.
Em 1943, magistralmente, Leo Kanner psiquiatra austríaco, identificou entre crianças “deficientes” algumas que se diferenciavam das demais por um comportamento peculiar caracterizado entre outros, por uma dificuldade extrema em estabelecer relações interpessoais. A partir dessa observação pode descrever uma síndrome com uma série de sinais e sintomas., dentre as quais, destacavam-se dificuldades nos primeiros contatos com os pais, com situações frustrantes, com o sono, na área do emocional e da comunicação em geral, extremo retraimento e obsessividade. Todas essas características apresentam-se na mais tenra infância, chegando aos três primeiros anos de vida. Ocorrem, aproximadamente, um caso em mil nascimento. Para cada cinco meninos, nasce uma menina. A essa síndrome Kanner denominou de “Autismo Infantil Precoce”.
Ajuriaguerra (1973), em seu célebre tratado, o enquadra dentro das psicoses infantis caracterizadas como sendo um transtorno da personalidade dependente de uma desordem da organização do Eu e da relação da criança com o mundo circundante, definida por
conduta inapropriada frente à realidade com retraimento de tipo autístico ou fragmentação do campo da realidade;
restrição no campo de utilização dos objetos;
catexis cognitivas, afetivas e de atividade insuficientes ou parcialmente exageradas, demasiado focadas ou esparsas, produzindo condutas rígidas ou inconsistentes;
vida imaginativa pobre ou do tipo mágico-alucinátório;
atitude demasiado abstrata ou demasiado concreta, restrita, limitando a mobilidade do campo do pensamento e da ação;
relação inadequada com as pessoas.
Em 1976 opera-se uma transformação extraordinária nos conceitos sobre o Autismo Infantil, até então seguindo uma linha psiquiátrica defendida por Leo Kanner.
Ritvo (1976) lança seu livro sobre o Autismo e nele podemos observar uma mudança radical. Cita estudos anteriores, os quais enfatizam que as crianças autistas possuem um problema de desenvolvimento e déficits cognitivos. Segundo Ritvo (1976) “a desestruturação da criança autista decorre de alguns fatores importantes dentre eles os distúrbios de percepção (hipo ou hiperatividade aos estímulodevida a falhasna modulação dos inputs sensoriais, distorção da hierarquia de preferência dos receptores e défict no uso do input sensorial para discriminar em ausência de feed-back das respostas motoras”.
o autismo infantil decorre de incompatibilidades severas, ainda em estado intra-uterino, entre a mãe e o feto, resultando num psiquismo fetalpatológico que vais se prolongar após o nascimento.
Mesmo diante da revolucionária teoria de Ritvo, ainda seguindo uma linha psiquiátrica, BENENZON(1987) afirma que o autismo infantil decorre de incompatibilidades severas, ainda em estado intra-uterino, entre a mãe e o feto, resultando num psiquismo fetalpatológico que vais se prolongar após o nascimento.
“Bettelheim propõe considerar o autismo infantil como um estado mental que se desenvolve como reação ao sentimento de viver uma situação extrema e desprovida de qualquer esperança.”
“Apresenta a hipótese de que uma lesão do sistema reticular poderia ser originada por hiperoxia manifestando a semelhança entre alguns sintomas do autismo e das crianças cegas desde a primeira infância devido a uma fibroplasia retrolental.
Para obter-se o diagnóstico de Autismo pelo DSM-III-R (1989), fazem-se necessários ao menos oito dos dezesseis itens seguintes, incluindo-se pelo menos dois itens do grupo A, um do B e um do C.
A.Incapacidade qualitativa na integração social recíproca manifestada pelo seguinte:
(1)Acentuada falta de alerta da existência ou sentimentos dos outros.
(2)Ausência ou busca de conforto anormal por ocasião de sofrimento.
(3)Imitação ausente ou comprometida.
(4)Jogo social anormal ou ausente.
(5)Incapacidade nítida para fazer amizade com seus pares.
B.Incapacidade qualitativa na comunicação verbal e não-verbal e na atividade imaginativa, manifestada pelo seguinte:
(1)Ausência de modo de comunicação como balbucio comunicativo, expressão facial, gestos, mímicas ou linguagem falada.
(2)Comunicação não verbal acentuadamente anormal, como no olhar fixo olho-no-olho, expressão facial, postura corporal ou gestos para iniciar ou modular a interação social.
(3)Ausência de atividade imaginativa como representação de papéis de adultos, personagens de fantasia ou animais; falta de interesse em histórias sobre acontecimentos imaginários.
(4)Anormalidades marcantes na produção do discurso, incluindo volume, entonação, estresse, ritmo, velocidade e modulação.
(5)Anormalidades marcantes na forma ou conteúdo do discurso incluindo o uso estereotipado e repetitivo da fala; uso do “você” quando o “eu” é pretendido; ou freqüentes apartes irrelevantes.
(6)Incapacidade marcantena habilidade para iniciar ou sustentar uma conversação com os outros, apesar da fala adequada.
C.Repertório de atividades e interesses acentuadamente restritos, manifestado pelo que se segue:
(1)Movimentos corporais estereotipados como, por exemplo, pancadinhas com as mãos ou rotação, movimentos de fração, batimentos da cabeça, movimentos complexos de todo o corpo.
(2)Insistente preocupação com parte de objetosou vinculação com objetos inusitados.
(3)Sofrimento acentuado com mudanças triviais no aspecto do ambiente, por exemplo: quando um vaso é retirado de sua posição usual.
(4)Insistência sem motivo em seguir exatamente sempre o mesmo caminho para as compras.
(5)Âmbito de interesses marcadamente restritos e preocupação com um interesse limitado, por exemplo: interessado somente em enfileirar objetos, em acumular fatos sobre metereologia ou em fingir ser um personagem de fantasia.
Segundo Gillberg (1990) “o Autismo é considerado como uma síndrome comportamental com etiologias múltiplas e curso de um distúrbio de desenvolvimento. Conforme já dissemos anteriormente, ele é caracterizado por um déficit na interação social visualizado pela inabilidade em relacionar-se com o outro, usualmente combinado com déficits de linguagem e alterações de comportamento”(Gillberg), 1990).
O DSM-IV (draft) (APA, 1991) caracteriza-o como um “Distúrbio Abrangente de Desenvolvimento”, com a inclusão de critérios específicos de algumas patologias. Assim sendo, tenta tornar-se um pouco mais específico e característico que seu antecessor DSM-III-R.
A 10ª Classificação Internacional das Doenças Mentais – CID-10 (1993), enquadra o autismo na categoria “Transtornos Invasivos do Desenvolvimento”, caracterizados por uma série de comportamentos anormais na interação social, nos padrões de comunicação e por apresentar um repertório de atividades repetitivas restritas e estereotipadas.
Frisa ainda que, “em alguns casos” os transtornos estão associadose são presumidamente decorrentes de alguma condição médica, devendo, entretanto, ser diagnosticados com base nos aspectos comportamentais independentemente dessas condições.
Segundo Schwartzman(1995) “o autismo infantil é uma condição neuropsicológica conhecida, ao menos sob esta denominação, desde a década de 40, quando foi descrita, de forma brilhante por Kanner.(1943). Síndrome caracterizada por alterações presentes desde idades bastantes precoces e que se manifesta, sempre, por desvios nas áreas da relação interpessoal, linguagem/ comunicação e comportamento
Maria Angélica Oliveira Spenley - Monografia da conclusão do curso de Bacharel em Musicoterapia - UCSal em Julho de 1997
... Musicoterapia e seus efeitos em pessoas portadoras do TID- Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, onde se inserem os autistas... Este espaço será como um portal para o conhecimento, divulgação e o compartilhar de um processo terapêutico. Ouso-me aqui falar de uma maneira vivencial como uma profissional em Musicoterapia que se encantou com o enigmático universo dos portadores do Autismo Infantil. Antes porém deste mergulho, quero falar a respeito do título deste blog... um outro mergulho ... no tempo!!!
Ano 2001: Realização de um antigo sonho. Comecei a cantar Mantras em sânscrito (man= mente + tra= libertação) isto é um fato marcante em minha vida. Essa experiência me permitiu uma total compreensão do efeito do sons na vida de todo ser humano, o que veio reforçar mais ainda o gosto pela minha profissão.
Cantar mantras nos leva à uma total conexão com nosso Eu Interior = SWA(Eu Interior em Sânscrito). Sabendo na prática, que a Musicoterapia é uma das terapias que mais se adeqüa aos portadores do Autismo Infantil, é que estou aqui agora partilhando com todos vocês, este bolg que se torna um Caminho Seguro para os Autistas:SWA - Safe Way for Autistic.
Então com estes conceitos preliminares ... E o esclarecer sobre, tornará o início desta viajem, algo possível... Apreciem.